Não sei quem sou
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Não sei quem sou
Ultimamente, estou perdida. Essa semana me pediram para escrever um texto sobre quem sou eu, e não soube o que escrever. Quando eu tinha 7 anos, era bailarina, e até fazia apresentações na escola. Todos me perguntavam, “ O que você vai ser?”, e eu sempre respondia, “Bailarina, quer que eu te mostre os passos que aprendi?”. Mas, claro que não sou uma grande bailarina hoje, na verdade, nem sei dançar. Quando fiz 12 anos, decidi ser skatista, e até andava de skate e long pelas ruas. Todos me perguntavam, “ O que você vai ser?”, e eu sempre respondia, “ Sonho em ser médica, quem sabe, mas por enquanto, vou tentar chegar á Karen Jonz”. Mas, claro que não sou uma grande skatista, não sei fazer um Ollie, muito menos qualquer outra manobra. Quando fiz 16 anos, me perdi. Pensei em ser engenheira, psicóloga, policial, servir ao exército, cursar direito ou ser médica. Todos me perguntavam, “ O que você vai ser?”, e eu sempre respondia “ Não sei, estou pensando”, nem sempre, as vezes eu respondia que iria ser isso ou aquilo, e no fundo, não tinha uma resposta. Parece que as pessoas vivem para isso, né? Estudar, trabalhar, se casar e morrer. Eu sou estrada sem destino, céu azul com nuvens brancas. Sou sonhadora de caminhos, acredito no amor a primeira vista. Escrevo versos de um mundo utópico, onde a sua realidade vive no meu ser. Sou coberta de perguntas que não sei responder. Meu peito é alto, igual a grandes ondas, mas sempre quebra quando acho que vai continuar, a final também sou pedregulhos, que sabem que embaixo é que se começa o aprendizado. Então, eu me pergunto, “ Você está bem, Maria?”, “ Como vai seu dia?”. As pessoas poderiam se interessar no que sentimos. Imagina se em cada esquina, nossos tropeços fossem sorrisos? Que perfeição de cidade, comprar pão com um padeiro feliz, que deseja um bom dia. Ultimamente, estou perdida. Ando sorrindo, mas o fone sempre me acompanha, seja o trajeto que eu fizer. Evito as pessoas constantemente, mas não sou anti-social, é que gosto de me pronunciar quando tenho algo bom a oferecer. Uma palavra, um conselho, gargalhadas e até uma bala. Somos rodeados de lixos tóxicos, negatividade que nos desanima, então, ao invés de me deixar vazia, quando não tenho o que dizer, sorrio. Acho que o verbo mais importante é esse, sorrir. Eu sorrio, tu oceano, ele Bruno Mars. Estou brincando, mas te provei que deste verbo, saem bons sentimentos e boas vibrações. Ultimamente, estou perdida. Mas continuo sorrindo. Sorrindo para o carteiro, para o cachorro, para o violão, e para o meu amor, que atravessa a rua todos os dias de manhã. Talvez, sejam os únicos minutos do dia que sei quem sou.
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