O que eu faço?
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O que eu faço?
Mas, Zé, olha isso, ele gosta tanto de mim, o que eu faço? Já não tenho os mesmos olhos, e nunca soube me desprender. Ontem ele relembrou nossos momentos, como aquele que ficamos no carro, parados no estacionamento de um shopping, com preguiça de ir embora. Poxa, Zé, naquele dia observei tanto o rosto dele, cada sorriso, e lá guardei para mim o amor que alimentei, foi tão incrível que pedi a Deus para paralisarmos ali e nos deixarmos juntos para sempre. Eu sei que nem tudo é rosas, e o coração, por vezes, nos engana com suas escolhas, mas era ele, Zé, eu sabia, me esforcei para ser. Em cada lembrança, uma lágrima descia, e não era por fora, mas minha alma chorava a perda daquele olhar. Ontem ele relembrou dos meus dias de tormenta, quando me vi presa onde não queria, e ele entrou, me olhou com os olhos cheios d’agua, quase me puxando dali, mas por segundos, soltou um sorriso, e me amou, ao ver no aparelho os batimentos do meu coração, que aumentaram com sua chegada, e aumentavam cada vez que falava. Foram tão escuros aqueles dias, mas cada vez que eu o via, sentia que podia superar e passar por aquilo. Ele era minha luz, e eu não sei o que aconteceu. Zé, nem tudo é para sempre, aprendi isso, tem amores que vem para durar até quando forem destinados, e então precisam ir. São como os infinitos, citados naquele filme,” A culpa é das estrelas”. Alguns infinitos duram mais que os outros, mas não deixam de ser infinitos por terem acabado. Alguns amores duram mais que os outros, mas não deixam de ser amores por terem acabado. Serão amores para sempre, mas precisavam apenas de um tempo na sua vida para colocar um pedacinho a mais na pessoa que você é, que se formou. Mas, Zé, olha isso, ele gosta tanto de mim, o que eu faço?
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