Desabafo

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Desabafo

    Eu queria que fosse meu ano. Eu comecei acreditando que era. Eu tinha um emprego ótimo, em uma área complexa, com amizades ao lado, e a empresa que eu queria. Eu queria que fosse meu ano. Comecei a faculdade no ano que escolhi, no curso que sempre amei, na universidade que sonhei. Eu queria que fosse meu ano. Conheci um cara lindo, que me fazia sorrir todos os dias, e me esperava todos os dias no almoço, para falarmos dos nossos sonhos, dos planos, do futuro. Eu queria que fosse meu ano. Comprei um celular novo, paguei três mil nele, a vista, e continuei a coleção da Apple que sempre quis ter. Eu queria, queria muito que fosse meu ano. Renovei o guarda-roupa, mudei o corte do cabelo, fiz tratamentos na pele, fiz minha primeira tatuagem, dei pt na balada, conheci novos amigos. Eu queria que fosse meu ano, torci para ser. Mas não foi. Meu trabalho se tornou um porre, e meu chefe destruiu meu psicológico, me senti incapaz de exercer minha função. Fui mal em todas as provas da faculdade, mesmo sabendo do assunto, não consegui. Levei um fora do cara, e depois ele decidiu que deveríamos namorar, e então ele mudou de ideia, mas logo no outro dia decidiu que não conseguia ficar sem mim, mas talvez ele não tenha acordado achando isso no outro dia, e não quis mais, talvez seja um jogo, que eu só perca. Meu celular está bom, talvez eu goste dele, apesar de não valer mais os três mil, lançou um novo. Uso a mesma roupa na maioria dos dias, meu cabelo não combina mais comigo, meu rosto é gordo, não adianta tratamento, o pt me fez brigar com a pessoa que mais amo, meus amigos se foram. Nada fez sentido, minha vida perdeu a cor em poucos dias. E eu torci, eu pedi, eu rezei, eu corri. Eu queria que fosse meu ano, chorei para ser. Mas não foi. Nunca é.

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