No fim do dia
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No fim do dia
Mas é no fim do dia, quando chegamos em casa, tomamos um banho demorado, lavamos a alma, nos secamos do suor das decepções, dos nãos, dos estresses, da exaustão. É no fim do dia, quando deitamos a cabeça sobre o travesseiro, apagamos a luz, e colocamos a música mais foda da playlist, que desejamos ter alguém. É sempre no fim do dia. É no olhar fixo ao teto, que sonhamos com o café na cama pelas manhãs, ou apenas a preguiça de levantar, entre as pernas entrelaçadas, os bafos ruins e os cabelos bagunçados. É no apagar das luzes, no acender da lua, que queremos um beijo de boa noite, uma mensagem de “Dorme bem, meu amor”, uma música calma, que pare a alma, acelere o coração, conte os detalhes de alguém. É no fim do dia, que choramos, que nos sentimos solitários, que achamos a vida injusta, e fracassados para o amor. É na escuridão do mundo, entre as cobertas frias da madrugada, que nos aquecemos com o contorno das lágrimas, que lembramos, que nos apaixonamos, que nos isolamos, e queremos desmontar. É sempre no final do dia, onde ninguém vê, ninguém ouve. Onde o espírito se alarga, o corpo descansa, e o coração mostra quem realmente é. Mas é no fim do dia. Sempre no fim do dia.
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