Alma cansada

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Alma cansada

Tem dia que a gente cansa. Que a gente levanta, abre a janela para o sol entrar, mas prefere andar de óculos escuro. O calor queima a pele, mas os olhos conservam o gelo da alma. Tem dia que a gente cansa. Que a gente põe a melhor roupa, passa a maquiagem mais bonita, mas permite as lágrimas borrá-la, sujar a roupa, e se encontrar com a dor. O corpo se lava, mas a sujeira causada pelos sentimentos ruins conservam a podridão da alma. Tem dia que a gente cansa. Que a gente não corre mais, mas se senta em qualquer meio de avenida, e aguarda o caminhão. Que a gente para de nadar. Para de gritar. Para de ser gente. E tem gente como a gente, que sofre, se torna pó, e deixa o vento levar. Todo dia alguém cansa. Nosso corpo não se ama, não se alcança, se esquece de quem é, e quer deitar no chão de madeira e não acordar.

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