Até a próxima jornada
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Até a próxima jornada
Tem mudanças na vida que exigem coragem, mas nunca um adeus. Confesso que foram anos difíceis, e cada risada que demos em meio a todo o caos, guardo em meu peito. Alguns dias são meio cinzas mesmo, e com você aprendi que tudo bem, e a gente pode pegar um lápis aquarela e pintar tudo, escrever um palavrão bem grande no céu, e encher a cara, ouvindo um rock bem alto até o vidro da porta estourar todo. Meio louco mesmo, igual você. No meu primeiro ano, assim quando te vi, te conheci, nossas almas se ligaram. Já ouviu falar da linha vermelha do amor? Que duas pessoas nascem com a mesma e com o tempo, um dia, se acham? Bom, é a gente. Mas nossa linha é azul, ou aquele amarelo mostarda feio que você põe em todas as planilhas, sabe? De pai e filha. Linha de família. Não de sangue, ou de adoção. De alma. Passamos momentos tão bons, e te ouvir falar da sua ex com olho de vidro foi o melhor deles. Ou talvez aquele natal que ficou bebado sozinho e quebrou o vidro do seu aquário. Tem mudanças na vida que exigem coragem, mas nunca um adeus. Enquanto volto no ônibus, nesse dia frio.. meu, se não estiver 10 graus negativos, está pelo menos 0! Enfim, Enquanto volto no ônibus, me pergunto sobre o futuro, e como tudo será. Te ligo para perguntar? Descobri agora que não sei sozinha. Quando algo não ia bem, era só tocar no seu ramal, ou esperar o abraço inesperado que me dava todos os dias. É meio triste andar solitária, e olha, deixei meus lápis na sua mesa, para continuar a colorir os dias escuros que vierem, mas me recusei a deixar a borracha. Tenho medo de me apagar. De me refazer ou desenhar outra pessoa em meu lugar. Não esquece das batidas na janela de manhã, e dos doces que ama e eu deixava na sua mesa nos almoços. Você é definitivamente o meu caminho, ou o guia dele. Tem mudanças na vida que exigem coragem, mas nunca um adeus. Não vou te dar tchau, então.. até logo meu amigo, meu pai. Até a próxima jornada. Nos encontramos nas estrelas.. ou em alguma esquina por aí.
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