Ele era diferente

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Ele era diferente

Ele era diferente dos outros, meu coração já o conhecia, e soube sincronizar perfeitamente as batidas ao ritmo da sua voz. Ele tinha um olhar tão sincero, que enxergava minha alma, e sempre me senti nua, despida de alma, perante aquele julgamento de amor vindo do castanho claro dos seus olhos. Fui centenas de pessoas, já me vi em todas as minhas versões, mas com ele não existiam máscaras, nem fantasias, ou algum sotaque diferente, ele sabia perfeitamente quem eu era, com seu toque suave, calmo, sereno, ele descobria que meu estilo musical favorito na verdade é MPB, e amo arte, não sei dançar e só assisto terror. Ele ria da minha sinfonia romântica sobre a vida, e ouvia em silêncio, com um sorriso bobo, falar sobre o futuro e as crenças bobas que tenho, como fazer um desejo quando se vê o horário em meia noite em ponto, sabe? Ele era diferente dos outros, meu coração já o conhecia, e soube sincronizar perfeitamente as batidas ao ritmo da sua voz. Sou coberta de medos, confesso, mas ando armada, como se o mundo fosse pequeno, e eu posso tudo, só que ele sabia das minhas fraquezas, e entendia minha fobia absurda de barata, suas ligações e mensagens demonstrando a preocupação com minhas crises, que não são fáceis, mas ele torna. Algumas pessoas gostam de aplaudir o sol, já o fiz também, algumas pulam ondas, se jogam nas águas salgadas do mar, outras trilham bosques e árvores, todas buscam um ponto de paz, em meio a esse mundo turbulento, ao caos humano. Ele era diferente dos outros, meu coração já o conhecia, e soube sincronizar perfeitamente as batidas ao ritmo da sua voz. Ele é exatamente aquele ponto de paz, o meu ponto  de paz, um conjunto de dia perfeito, ensolarado, na praia, com a brisa salgando as folhas verdes das árvores ao redor da calçada que beira a areia. Ele é perfeitamente o sonho bom que tive em outras vidas, e encontrei nessa. Ele era diferente, e agora meu.

Comentários

  1. Que intensidade, que palavras... Simplesmente incrível! Viva ao amor de vocês!

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  2. “Não adentre a boa noite apenas com ternura,
    A velhice queima e clama ao cair do dia,
    Fúria, fúria contra a luz que já não fulgura.
    Embora os sábios, no fim da vida, saibam que é a treva que perdura,
    Pois suas palavras não mais capturam a centelha tardia.
    Não adentre a boa noite apenas com ternura,
    Fúria, fúria contra a luz que já não fulgura…”

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